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NGHD - A Génese

 

Durante 1983, após iniciar funções, em 17 de Fevereiro, como Assistente Hospitalar de Gastrenterologia do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, tomei consciência que, seria difícil fundar e “construir” o Serviço de Gastrenterologia que idealizara.

Existia, ainda, incompreensão (e por vezes oposição) por parte de Colegas e de Doentes à realização de exames endoscópicos – quer sob o ponto de vista económico, quer na perspectiva de mais-valia diagnóstica e terapêutica (mantinha-se o reinado da papa baritada para o aparelho digestivo), quer sob o ponto de vista das necessidades em equipamento, em espaço e em recursos humanos.

Os Conselhos de Administração dos Hospitais e a Direcção Geral dos Recursos Humanos argumentavam que não se podia ser nomeado Director de Serviço porque não se devia ser Director de si próprio (só se o Serviço possuísse mais médicos). No entanto, por outro lado, impedia-se ou dificultava-se o recrutamento desses mesmos elementos. De facto, era quase impossível receber internos do Internato Complementar porque as Comissões dos Internatos favoreciam quase em exclusivo os H. Centrais na distribuição daqueles médicos, e não existiam facilidades nem rapidez para aprovação de um novo Quadro de Gastrenterologia. Acrescia, em consequência, que também não se podia progredir na Carreira.

Perante a inexistência de um Quadro médico apropriado e consciente ainda que um Serviço não iria longe apenas com um elemento, percebi que teria de começar uma luta para mudança de mentalidades: No Hospital, nos Cuidados Primários de então, na Direcção Geral dos Recursos Humanos e nas Comissões Regionais e Nacional dos Internatos. Em consequência havia que desenvolver uma estratégia cuja base passava, obrigatoriamente, pela cumplicidade e união de todos os Gastrenterologistas que trabalhavam nos H. Distritais de então e que tinham aumentado significativamente no início da década de 1980, reforçando os raros colegas que, durante a década de 1970, tinham feito a Especialidade dar os primeiros passos na Província.

Após o êxito do I Encontro de Gastrenterologia das C. da Rainha, realizado, em Novembro de 1983, em Óbidos, com excepcional adesão dos Clínicos Gerais, senti que era a altura de se tentar desencadear, nos diferentes “patamares”, as mudanças necessárias. De facto, começava a ser ouvido o meu discurso alertando de que era totalmente inadequado e injusto para as populações: existirem 3 vezes menos recursos gastrenterológicos nos H. Distritais – que no seu conjunto serviam teoricamente 75% da população. Na altura a SKF, atenta a um eventual fenómeno de crescimento da valência nos H. Distritais, ofereceu, através da SPG, um “gastrofibroscópio” P3 ao S. Gastrenterologia das C. Rainha, nessa mesma reunião científica.

Os dados que utilizava provinham da consulta estatística minuciosa que tinha possibilidade de fazer dado que era Director dos Internatos Médicos do meu Hospital.

Mas havia que dar passos mais importantes em 1984.

Assim contactei alguns colegas que estavam colocados nos H. Distritais, em Junho de 1984 (após mais uma reunião frustrante na D. G. R. Humanos), durante o Congresso Nacional, realizado na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa (Campo Santana), auscultando-os sobre a possibilidade de formar um Núcleo de Gastrenterologia dos H. Distritais para defender os melhores interesses da valência e dos Gastrenterologistas, implantando Serviços com dignidade adequada e permitindo um atendimento mais correcto dos Doentes – que não teriam que se deslocar até aos H. Centrais, evitando também a sobrecarga destas instituições.

As palavras Núcleo de Gastrenterologia “saíram-me” de um modo natural durante uma conversa fundamental que mantive com os colegas Carlos Pinho (Vale do Sousa) e Carlos Pires (Viana do Castelo). Não só obtive de imediato uma adesão entusiástica, mas também foi consensual que seria adequado eu escrever uma carta a todos os Gastrenterologistas dos H. Distritais convidando-os para uma reunião formal, mais tarde nas Caldas da Rainha, onde se constituiria, eventualmente, o Núcleo.

Esta ideia ganhou mais força e dinamismo, durante o mês de Setembro do mesmo ano, durante o Congresso Internacional de Gastrenterologia, em Lisboa. Sobretudo através do apoio vigoroso dos Drs. Castel Branco Silveira (Castelo Branco) e Duarte Costa (V. F. Xira).

Entretanto, em 23 de Outubro do mesmo ano, teve lugar uma reunião na Comissão Regional dos Internatos Sul, com todos os Directores de Internatos Médicos (DIM) daquela região que se revelou decisiva. De facto, aquela CRIM não estaria à espera que surgisse e fosse aprovada por unanimidade uma proposta, que fiz com o mesmo argumento de sempre: a assimetria e a falta de equidade entre H. Centrais e Distritais. Tirando partido que se tratava de uma reunião com a presença de todos os DIM, e sabendo que os provenientes dos H. Distritais estavam em vantagem numérica, apresentei a proposta que foi aprovada, modificando a constituição daquela Comissão que passou a integrar elementos dos H. Distritais.

Fui eleito pelos colegas dos H. D para integrar a CRIM Sul e pouco depois, e também sob minha proposta, esta comissão passou a ter o mesmo número de DIM dos H. Distritais e dos H. Centrais, ficando constituída por 8 elementos (4 + 4).

Prossegui de imediato tentando que as CRIM Centro e Norte procedessem do mesmo modo (a CRIM Centro concordou com a nova metodologia para a sua composição mas o Presidente da CRIM Norte recusou a ideia. A C. Nacional também recusou a proposta que fiz para ficar constituída por 6 elementos (3 dos H. C. e 3 dos H. D.).

Estes passos revelar-se-iam fundamentais pois, durante 1985 e 1986, começaram a ser colocados Internos do Internato Complementar de Gastrenterologia nos H. Distritais, proporcionando não só a afirmação e diferenciação dos Serviços, fortalecendo as vertentes Formativa e Científica, mas também o seu Futuro – atento que a maioria desses Internos iria radicar-se nas cidades onde ficariam colocados. Deste modo, poderiam vir a assegurar um dia mais tarde, já Assistentes, a consolidação e continuidade dos respectivos Serviços de Gastrenterologia.

Finalmente, e após ter enviado carta/circular a todos (22) os Gastrenterologistas colocados, então, nos H. Distritais para comparecerem, em 29 de Novembro de 1984, no final dos 2os Encontros do S de Gastrenterologia das Caldas da Rainha, teve lugar uma reunião com 11 colegas provenientes de 8 Hospitais: Caldas da Rainha, Castelo Branco, Vale do Sousa (3), V. Franca de Xira, Almada (2), Figueira da Foz, Setúbal, Viana do Castelo.

Foram ainda recebidas cartas dos Hospitais de Braga, Cascais, Chaves, Faro, Leiria, Matosinhos, Santarém e Viseu, todas apoiando o 1º ponto da Ordem de Trabalhos: Formação do Núcleo de Gastrenterologia dos H. Distritais (NGHD).

Constavam ainda da Ordem de Trabalhos os seguintes pontos:

2) Definição de Serviços de Gastrenterologia nos H. D. e da sua Direcção;

3) Formação de grupo de trabalho para realizar levantamento das condições de trabalho existentes em cada H. D. a nível da Gastrenterologia, para ulterior tomada de posição (Colégio da Especialidade da Ordem, Direcção Geral dos Hospitais, Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, etc.) apontando mapa de deficiências e sugerindo caminhos;

4) Formação de grupos de trabalho que organize colaboração cientifica entre as diferentes Unidades de Gastrenterologia quer no estabelecimento de dados respeitantes à distribuição geográfica no País de vários tipos de patologia especializada, quer na organização de protocolos ou trabalhos multicêntricos a apresentar eventualmente na S.P.G. e S.P.E.D. quer ainda no apoio tecnológico a Distritos vizinhos com dificuldades na realização de determinadas técnicas ou exames.”

No final foi aprovada a constituição do NGHD com os seguintes objectivos

“a) Promover a defesa dos interesses profissionais dignificando o exercício da GE nos H.D., quer salvaguardando o correcto atendimento dos doentes quer os direitos dos Médicos;

b) Representar os serviços de GE dos H.D. e defender os seus interesses junto dos Órgãos Soberanos, Sociedades Médicas, etc.;

c) Incentivar a colaboração científica e/ou clínica entre H.D. de molde a que estes tenham papel significativo no panorama da GE Nacional;

d) Colaborar na definição duma política global de Saúde para os H.D., quer no que diz respeito á carreira médica Hospitalar e regionalização da Saúde quer no que diz respeito às condições mínimas de instalação, equipamento e funcionamento, para um trabalho responsável.”

Todos acordaram ainda com a criação de uma Comissão Coordenadora (Ad-hoc), composta pelo promotor da primeira reunião e por um representante de cada uma das zonas (Norte, Centro e Sul), para consolidar o caminho do N.G.H.D. de Novembro de 1984 até ao final de 1985 e que ficaria constituída por: Vasco de Noronha Trancoso, Carlos Albuquerque Pinho, João José Castel Branco da Silveira e Joaquim Duarte Costa.

Estes momentos, que tiveram lugar entre Junho e Novembro de 1984, determinaram mudanças fundamentais no panorama nacional da Gastrenterologia – como viria a ser reconhecido, mais tarde, durante Reunião Nacional, em Coimbra, pelo Prof. Gouveia Monteiro - aquando de uma sua comunicação sobre a história da valência em Portugal.

A Gastrenterologia nos H. Distritais, nunca mais pararia de se desenvolver. O empenho e a criatividade de todos os colegas tornaram o sonho realidade. Um sonho sonhado no colectivo. O NGHD comandou e comanda a vida de todos nós.

Vasco Trancoso

2 de Agosto de 2009


 

 

 

 

 

 



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